Recursos Marinhos na Extensão da Plataforma Continental

Recursos Não-Vivos

Os recursos vivos e não vivos dos fundos marinhos constituem—se, cada vez mais, como alternativa à exploração dos mesmos em terra. À medida que a escassez dos recursos aumenta nas áreas continentais e que a tecnologia prospetiva e extrativa progride, a exploração dos recursos minerais, energéticos (nos quais se incluem os hidratos de metano) e genéticos nos grandes fundos marinhos torna-se cada vez mais exequível. Muitos desses recursos encontram-se nas plataformas continentais e nas suas zonas de extensão, tornando estas áreas de solo e subsolo um novo património para o Estado costeiro.

A exploração científica dos fundos marinhos nacionais é ainda diminuta e estes estão fracamente caracterizados. Os dados e conhecimento que foram sendo obtidos ao longo dos anos através de campanhas de investigação científica e nos cruzeiros dedicados do PEPC permitem, no entanto, antecipar um vasto potencial para os diferentes recursos existentes na plataforma continental de Portugal.

Fig. 1 - Recursos do fundo do mar

Com o PEPC, multiplicam-se os motivos para consolidar os dados já existentes e avaliar novos recursos minerais. É inegável que a exploração mineira é uma iniciativa de risco e que o desconhecimento dos recursos existentes e a forte competição internacional são constrangimentos. Ainda assim, o desafio e a oportunidade não devem ser afastados: medidas concretas, de relativo baixo custo e de aplicação simples, permitiriam a curto prazo concretizar projetos de prospeção e uma possível exploração.

Recursos Minerais Metálicos

A existência de recursos minerais metálicos na ZEE Portuguesa é conhecida há várias décadas. Estão entre os recursos conhecidos os nódulos polimetálicos, crostas de Fe-Mn ricas em cobalto e sulfuretos polimetálicos. Com a extensão da plataforma continental portuguesa abrem-se portas para a descoberta de novos depósitos minerais.

Sulfuretos Polimetálicos (Cu, Zn, Ag e Au)

A recente exploração científica dos fundos marinhos, que teve o seu apogeu nos anos noventa, sobretudo na região dos Açores, demonstrou a existência de recursos metálicos associados aos campos hidrotermais. Das várias missões oceanográficas internacionais localizadas no interior da ZEE e nas zonas adjacentes na Crista Média-Atlântica, resultaram a descoberta de cinco campos hidrotermais ativos - Menez Gwen, Lucky Strike e Saldanha, localizados no interior da ZEE, e os campos Rainbow e Moytirra, situados na plataforma continental estendida. A exploração de recursos minerais a 1500m de profundidade, que até há pouco tempo era apenas um cenário de ficção científica, poderá iniciar-se até à segunda década do século XXI. A existência de ecossistemas únicos nos campos hidrotermais ativos coloca novos e enormes desafios à exploração sustentável dos depósitos minerais aí formados. A maior aposta será porventura no desenvolvimento de novas ferramentas e tecnologia para a identificação e exploração dos campos hidrotermais inativos, onde estes ecossistemas não estão presentes.

Fig. 2 - Chaminé da fonte hidrotermal Lucky Strike

Nódulos e Crostas de Fe-Mn

Na plataforma continental de Portugal estão documentadas ocorrências de nódulos polimetálicos nas Planícies Abissais. Segundo os dados da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, foram identificadas crostas de Fe-Mn na Crista Madeira-Tore, a norte do Arquipélago da Madeira, e junto à Crista Média-Atlântica no limite norte da ZEE dos Açores. Mais recentemente, os cruzeiros dedicados do PEPC permitiram igualmente identificar ocorrências de crostas de Fe-Mn nos montes submarinos a sul dos Açores, bem como comprovar a sua existência na Crista Madeira-Tore.

Fig. 3 - Amostra de crosta de Fe-Mn

Fig. 4 - Crostas de Fe-Mn ricas em Co

Recursos Vivos

A EMEPC reuniu no decurso das campanhas do PEPC, uma coleção com um número significativo amostras que compreende fauna e flora, amostras de água e sedimentos na sua maioria recolhidas a grandes profundidades oceânicas (profundidades superiores a 1 500 m). Esta coleção tem vindo a ser potenciada em estudos académicos sobre biodiversidade e recursos genéticos. Porém, existe ainda um longo caminho a percorrer até que se possa desenvolver aplicações no quadro da designada “biotecnologia azul”.

Fig. 5 - Biodiversidade no campo hidrotermal Lucky Strike

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