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Nome: Dina Dias

Instituição: Escola Secundária da Baixa da Banheira

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Função a bordo:

Professora responsável pelo grupo Vencedor do Concurso Kit do Mar 2012 e apoio logístico à expedição e colaboração na equipa de triagens, catalogação e acondicionamento de amostras

Como veio parar a bordo desta campanha cientifica? Qual é a sua área de interesse e de que modo esta se enquadra nesta Campanha?

Sou professora de Biologia e Geologia da Escola Secundária da Baixa da Banheira. Sempre orientei a minha actividade educativa no sentido do trabalho de campo e da educação para uma gestão sustentável dos recursos naturais, sendo que nos últimos anos dei especial atenção às temáticas ligadas às praias e ao mar. Neste sentido, surgiu a ideia de construir na escola um grande aquário de água salgada, recriando o ecossistema da zona intertidal portuguesa. E foi com a implementação deste trabalho que viemos a concorrer e a receber o primeiro prémio do Concurso do Kit do Mar 2012

Do seu ponto de vista, quais são as principais mais-valias a médio e longo prazo desta Campanha?

Considero que os resultados desta campanha serão muito importantes para o futuro. Por um lado para o conhecimento e adequada gestão dos recursos marinhos do nosso país. Por outro lado, penso que é um exemplo do que será, e deverá ser a relação cooperante entre instituições, organizações e profissionais de diferentes áreas.

Tenciona continuar a colaborar em iniciativas deste género? Porquê?

Sim, tenciono continuar porque é minha convicção que o contacto com o trabalho de investigação é um meio priveligiado para uma efectiva mudança de atitude dos cidadãos, neste caso em relação ao mar, bem como porque este tipo de participação desperta paixões, que espero que venham a determinar decisões na vida profissional (e pessoal) dos meus alunos!

 


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Quem é?

Rui Esteves da Silva. Aluno do 2º ano do curso de Biologia Marinha e Biotecnologia na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (Instituto Politécnico de Leiria).

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Como tem sido a experiência de aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos durante o curso nos trabalhos científicos da Campanha?

O curso que estou a frequentar possui uma importante componente prática, de laboratório e saídas de campo, que me deu algumas noções daquilo que encontrei durante a campanha. É extremamente agradável aplicar em trabalhos de campo os conhecimentos adquiridos ao longo dos meses dentro de salas de aula.

 

Quais considera serem as mais-valias, para a sua actual vida académica e para a sua futura vida profissional, que obteve ao participar nesta Campanha?

A participação na Campanha permitiu-me adquirir valências que dificilmente adquiriria no decorrer do meu curso. Os trabalhos científicos realizados, bem como a logística envolvida na Campanha, permitiram-me adquirir novas metodologias de trabalho de campo, bem como conhecimentos variados em diferentes áreas.

A complexidade logística permitiu também perceber como se organiza/gere uma amostragem de grande dimensão, e como se resolvem pequenos contratempos que vão surgindo. Mais-valias que serão, sem dúvida, muito importantes no meu futuro académico e profissional.

 

Como membro da equipa de mergulho científico da Campanha, o que mais gostaria de salientar relativamente ao que observou nos vários mergulhos em que participou?

Foi possível observar in-situ o impacto das reservas marinhas existentes no Arquipélago da Madeira e dos Açores. É claro o benefício que as mesmas apresentam nos ecossistemas e consequente “spill over” de espécies.

No lado Sul da Ilha da Madeira é ainda possível observar os efeitos das enxurradas de 20 de Fevereiro de 2010. O aterro criado no porto do Funchal, ao que tudo indica, estará a afectar negativamente os fundos da região criando uma camada anóxica, afectando a vida bentónica.

 

Tenciona continuar a colaborar em iniciativas deste género?

É extremamente motivante participar em iniciativas como esta Campanha, portanto participarei com todo o gosto em iniciativas futuras.

 


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Quem é?

Nuno Lourenço. Doutorado em Ciências do Mar pela Universidade do Algarve. Coordenador do Gabinete de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da EMAM.

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Quais são os principais objectivos da Campanha EMAM/PEPC_M@rBis/2011? Quais são as mais valias que serão geradas pela Campanha?

Os objectivos da campanha enquadram-se de forma estrita nos próprios objectivos do projeto M@rBis, que a sustenta e dela beneficia largamente; a saber, na sua forma elementar, documentar a biodiversidade marinha, pela realização tão exaustiva quanto possível de inventariação e census das espécies marinhas nos diferentes locais de estudo. Em paralelo, são colhidos igualmente dados de variáveis ambientais e outros atributos relativos, por exemplo, a habitats, que são introduzidos de forma coerente e organizada no sistema de informação de biodiversidade marinha (M@rBis). Finalmente, devo mencionar que, em paralelo com os objectivos tecnico-cientificos estritos, pretendemos promover com este tipo de campanhas uma maior interacção e cooperação entre a comunidade científica, promovendo uma maior confiança funcional e articulação nos modos de execução dos protocolos científicos, que, sem prejuizo dos objectivos científicos de cada investigador, permitam uma inserção mais consistente de dados no sistema de informação.

 

Em que consiste, em termos gerais, o Sistema M@rBis?

Em termos gerais o sistema M@rBis é um sistema de informação e suporte à decisão, que permitirá aos decisores a concretização da extensão da Rede Natura 2000 ao meio marinho. O sistema pretende servir ainda  a comunidade científica e o público em geral. A arquitectura do modelo de dados que o suporta permite, em conjunto com os dados de inventariação e census das espécies, a introdução de diferentes atributos, como, por exemplo, o detalhe de observações fisico-químicas, de geologia, de caracterização de habitats ou de pormenor do modo de ocorrência de cada taxa observado. Na sua forma final, ainda a ser implementada, poderá ser acessível via internet, havendo diversos níveis de acesso pelos diferentes utilizadores, particulares ou institucionais. No que toca aos frutos da campanha, todos os dados serão tornados públicos via sistema M@rBis. Este sistema será tanto mais útil e robusto quanto o projeto seja participado pela comunidade científica, quer por via da participação voluntária nas campanhas M@rBis, quer ainda pela cedência de dados publicados ou de suporte a trabalhos de investigação de cada investigador ou grupo de investigadores. Na sua forma mais básica, uma entrada M@rBis é considerada válida desde que contenha, identificação do organismo, data de identificação, posição GPS da recolha/observação e, finalmente, um documento (foto/relatório/publicação/etc.) que referencie a entrada realizada.

 

Como é, em termos logísticos e humanos, montar uma campanha oceanográfica como esta?

O ambiente no seio da equipa M@rBis é voluntarioso, pró-activo, crítico e atento. Isso facilita muito o trabalho. Tendo dito isto, considerando que a campanha envolve: mais de 200 pessoas que entram e saiem em diferentes escalas ao longo do cruzeiro e que em geral querem sempre ficar mais tempo, a mobilização de equipamentos científicos variados,a logística de equipamentos de laboratório , a articulação sucessiva com diferentes participantes, de que são exemplo na campanha deste ano, os alunos do prémio “Kit do Mar”, os professores do projeto “Professores a  Bordo”, os investigadores individuais, os co-organizadores na Madeira e Açores, a equipa de mergulhadores profissionais,os escuteiros marítimos de S. Miguel e os diferentes jornalistas envolvidos na cobertura, para além da articulação a cada momento com o comando do navio. Considerando ainda que o próprio navio possui em transito uma velocidadevariável, função do vento existente em cada momento, o que tem implicações nos tempos de chegada e, consequentemente, na gestão de entradas e saídas em cada escala, fazem-me confessar que a organização de uma empresa como esta é, à vez: aliciante, intrincada, divertida, intensa, delicada, e, por vezes, muito díficil. Como se perceberá é precisa muita adjectivação para permitir uma resposta totalmente honesta a esta pergunta!

 


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Quem é?

Filipe Henriques. Licenciado em Biologia pela Universidade da Madeira. Membro do grupo de trabalho do Projeto GESMAR- Gestão Sustentável dos Recursos Marinhos.

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Cientificamente qual é a sua área de interesse e de que modo esta se enquadra nesta Campanha?

Embora seja um pouco precoce afirmar qual a área específica da biologia em que prevaleça um maior interesse, será certamente na ecologia marinha que existe uma enorme afinidade com duas das minhas grandes paixões, o Mar e o mergulho com escafandro autónomo. Esta Campanha reúne todas essas condições, o que por si só, reforça a ideia de conciliação entre o dever e o prazer, e o culminar perfeito da simbiose entre o mergulho com fins científicos, aliado à ligação pessoal ao Mundo Submerso.

 

Como membro da equipa de mergulho científico da Campanha, o que mais gostaria de salientar relativamente ao que observou nos vários mergulhos em que participou?

Bem, em primeiro lugar a beleza das águas cristalinas do remoto ilhéu das Formigas e respectivo ecossistema praticamente inalterado. É uma prova real do efeito benéfico que as áreas protegidas apresentam, permitindo assim uma repovoação das áreas adjacentes, e consequentemente, uma melhor sustentabilidade das pescas da região.

A nível da Fauna e Flora dos respectivos Arquipélagos da Madeira e Açores, foi interessante constatar in loco as variações qualitativas e quantitativas das diferentes espécies à medida que nos deslocamos entre a Madeira e os Açores. Fiquei particularmente emocionado pela abundância de indivíduos da espécie Coris julis que observei nos vários mergulhos em águas Açorianas, espécie que apresenta pouca representatividade no Arquipélago da Madeira. Outro aspecto extremamente positivo, a nível pessoal, foi observar espécies que apenas conhecia através de livros e fotografias, sendo sempre agradável ter um frente a frente pela primeira vez com tais criaturas.

 

Como é fazer parte de uma equipa de biólogos marinhos com especialidades muito diversas?

É um privilégio! Ter a oportunidade, no momento em que nos surge alguma questão relacionada com alguma das várias áreas da biologia marinha em que não temos assim tanto conhecimento científico, ser respondida imediatamente e com o rigor característico dos especialistas, é um regozijo que nem as mais avançadas tecnologias de informação nos podem dar. A absorção e transmissão de conhecimento foram de tal ordem de grandeza que tanto a missão como os participantes ficaram a reter um melhor conhecimento do mar que nos rodeia.

 

Do seu ponto de vista, quais são as principais mais valias a médio e longo prazo desta Campanha?

A médio prazo, permitiu realizar um levantamento exaustivo e relativamente rápido a algumas das áreas menos conhecidas do nosso território Nacional, advindo assim um melhor conhecimento da biodiversidade existente nessas regiões.

A longo prazo, pressupondo-se que os objectivos foram atingidos, penso que esta campanha contribuiu principalmente para o fortalecimento do M@rBis, ferramenta inovadora e imprescindível para uma correcta gestão das áreas marinhas Portuguesas, ajudando assim para um futuro mais promissor dos Mares de Portugal.

 

Tenciona continuar a colaborar em iniciativas deste género?

Como é possível negar a colaboração em iniciativas deste género?!... Simplesmente não se pode!

 


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Quem é?

Estibaliz Berecibar. Doutorada em Ecologia Marinha pela Universidade do Algarve. Assessora de Biopersidade da EMAM.

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 Do ponto de vista científico, em que consistem os trabalhos diários a bordo do ‘Creoula’?

Todos os dias há no mínimo 4 mergulhos com escafandro autónomo, dois mergulhos de manhã e dois à tarde. As equipas de mergulhadores, compostas por 4 a 6 mergulhadores, através de censos visuais, fotografia, vídeo e colheita de espécies fazem o levantamento da biopersidade em cada ponto de amostragem previamente escolhido.

Depois das amostragens, ainda no mesmo dia, as espécies recolhidas são triadas, identificadas, etiquetadas e preservadas. As fotografias e os vídeos, são também triados e as espécies encontradas, identificadas.

Todos estes dados sobre a biopersidade marinha observada são inseridos no Sistema de Informação georreferenciado M@rBis.

Sendo membro da equipa de mergulho científico da Campanha, quais foram, do seu ponto de vista, as principais diferenças e/ou semelhanças encontradas entre a biopersidade marinha do Arquipélago da Madeira e do Arquipélago dos Açores?

Embora o carácter subtropical seja mais evidente no arquipélago da Madeira, os dois arquipélagos são de carácter subtropical quando comparados com o continente português. Ambos apresentam muitas espécies cujo limite de distribuição norte se encontra na Macaronésia, e que são muito raras ou ausentes em Portugal continental (Thalassoma pavo, Sparisoma cretense, Bodianus scorfa, Scorpaena maderensis, Abudefduf luridus, Chromis limbata, Scyllarides latus, Megabalanus azoricus, Pinna rudis, Cystoseira abies-marina, Zonaria tournefortii, Lobophora variegata…).

No arquipélago da Madeira foi assustador ver os efeitos do crescimento da população do ouriço de bicos compridos Diadema antillarum. Estes ouriços alimentam-se de algas e são capazes de criar paisagens de pedra nua, chamadas branquiçais. No entanto, nos navios afundados a cobertura do substrato era do 100%, com a comunidade bem representada (algas, invertebrados e peixes). Nos navios afundados vimos em grande abundância espécies sensíveis, como o Mero ou coral preto. Também vimos grandes cardumes de peixes. Avistaram-se várias espécies sensíveis ou com estatuto de protecção no arquipélago da Madeira (Antipathella wollastoni, Megabalanus azoricus, Scyllarides latus, Epinephelus marginatus …)

No Arquipélago dos Açores chamou-me muito a atenção a dimensão dos organismos. As mesmas espécies de peixe avistadas no Arquipélago dos Açores foram bem maiores do que no Arquipélago da Madeira. Nos Açores, nos pontos onde temos mergulhado, a biopersidade marinha é exuberante. A cobertura do fundo é 100% e a quantidade de invertebrados e peixe também foi considerável. Avistaram-se várias espécies sensíveis ou com estatuto de protecção (Antipathella wollastoni, Centrostephanus longispinus, Megabalanus azoricus, Scyllarides latus, Epinephelus marginatus …) 

Na Campanha tem participado um conjunto numeroso e persificado de especialistas em biopersidade marinha. Quais as mais valias daí decorrentes, quer ao nível dos objectivos da Campanha, quer a nível pessoal?

Foi um verdadeiro luxo contar com a colaboração de muitos especialistas. A partilha da “expertise” de cada um dos especialistas com o resto da equipa, e em especial com o M@rBis, enriqueceu de forma considerável a qualidade dos dados recolhidos. Tal como no ano passado, durante um mês de campanha aprendi imenso. Considero que é uma grande oportunidade para todos os participantes; oportunidade para absorver o conhecimento que os especialistas querem partilhar connosco. Tivemos a sorte de contar com a imensa generosidade de alguns especialistas de grande qualidade que nos ensinaram imenso.

Qual é a importância dos sistemas de informação e a correcta georreferenciação dos dados obtidos no âmbito do estudo da biopersidade marinha? Qual é o contributo do Sistema M@rBis para esta área?

No Sistema M@rBis, além da georreferenciação das ocorrências, número de inpíduos, tamanhos, cor, estado reprodutivo, etc,  das espécies, é também recolhida a informação relativa ao tipo de substrato onde estas espécies foram avistadas ou recolhidas. Esta informação é muito importante para os estudos de ecologia destas espécies, ecossistemas ou habitats. Como já se viu nesta campanha, lugares muito próximos podem ser muito diferentes no que diz respeito à biopersidade marinha presente. Por isso, a correcta georreferenciação das ocorrências da biopersidade é também essencial para a eventual criação de novas áreas marinhas protegidas. A correcta georreferenciação permite-nos também criar cenários base para futuros estudos de evolução das espécies, dos ecossistemas ou de comparação dos mesmos entre diferentes regiões.

Além dos dados recolhidos nas campanhas EMAM/M@rBis, o Sistema M@rBis inclui também dados procedentes de outros estudos realizados nas águas sob jurisdição nacional por persos investigadores, por isso, o M@rBis é também uma ferramenta muito útil para os estudos comparativos, ou como base de dados ou metadados sobre quem está a trabalhar e em quê na área marinha nas águas portuguesas. Espera-se que o M@rBis possa ser uma fonte e um incentivador de colaborações entre diferentes investigadores de Portugal.


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Quem é?

Nuno Vasco Rodrigues

Mestre em Estudos Integrados dos Oceanos.

Investigador no Grupo de Investigação de Recursos Marinhos (Instituto Politécnico de Leiria).

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Cientificamente qual é a sua área de interesse e de que modo esta se enquadra nesta Campanha?

O meu interesse incide na ecologia marinha de um modo geral, particularmente em questões relacionadas com as áreas marinhas protegidas como ferramenta de protecção/promoção da biodiversidade, estruturação de comunidades de peixes e invertebrados, biogeografia e taxonomia. 

Como membro da equipa de mergulho científico da Campanha, o que mais gostaria de salientar relativamente ao que observou nos vários mergulhos em que participou?

Há duas questões que me parecem ser interessantes salientar, tanto pelo lado negativo como positivo: 

Negativo: a “nudez” apresentada pelo substrato rochoso na Madeira e Porto Santo resultante da pressão herbívora do ouriço Diadema. Este factor é extremamente preocupante se tivermos em conta que a proliferação descontrolada destes ouriços causa a quase total inexistência das algas, sendo estas a base da cadeia alimentar para muitos animais e simultaneamente substrato de fixação, alimentação e reprodução para toda um ecossistema.

Positivo: a observação frequente de espécies consideradas “chave” em termos de estruturação de uma comunidade, nomeadamente predadores de dimensão bastante razoável como raias, meros e badejos, lírios e bicudas. Para além destas, a presença de outras espécies que podem ser consideradas como “bioindicadores” e que normalmente traduzem a saúde de um ecossistema tais como alguns crustáceos (cavaco), equinodermes (ouriço de espinhos longos) e moluscos (Pinna).  

Como é fazer parte de uma equipa de biólogos marinhos com especialidades muito diversas?

É uma experiência extremamente positiva e rentável. A possibilidade de, dentro de uma mesma área, haver tal especificidade de conhecimentos, permite abordagens bastante diferentes a um mesmo assunto e tal só beneficia em termos de aprendizagem colectiva e a missão como um todo. É também uma ótima oportunidade para nos pormos a par do que está a ser feito em cada especialidade da biologia marinha tanto a nível nacional como internacional. 

Do seu ponto de vista, quais são as principais mais-valias a médio e longo prazo desta Campanha?

A médio prazo, penso que as mais-valias são, sobretudo, o aumentar de conhecimento sobre a biodiversidade marinha que habita as nossas águas uma vez que, como se percebeu, ainda há imensa informação nova resultante destas expedições. Penso também que esta expedição, nos moldes em que foi planeada, acaba por ser extremamente importante para os estudantes mais novos e novos investigadores, pois permite que estes se apercebam das várias linhas de investigação existentes e tal pode definir o seu futuro profissional.

 A longo prazo, penso que as mais-valias serão mais gerais: esta campanha vai contribuir consideravelmente para um enriquecimento da ferramenta M@rBis, ferramenta essa que pode vir a revelar-se fundamental no planeamento estratégico de novas linhas de investigação, prioridades de pesquisa, definição de “hot-spots” de biodiversidade, definição de zonas de interesse ecológico e estabelecimento de linhas de actuação para a preservação e aumento da biodiversidade marinha. Irá também permitir formar profissionais mais capazes para pôr em prática todas estas acções.

 

Tenciona continuar a colaborar em iniciativas deste género?

Sem dúvida! São experiências que proporcionam um crescimento brutal não só a nível profissional mas também pessoal. É um privilégio fazer parte disto!

 

 


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Quem são: Maria Ravara e José Gomes, 15 anos, alunos do 9º ano do Colégio St. Julian’s de Carcavelos. Fazem parte do grupo vencedor do 2º Concurso Nacional Kit do Mar, que ganhou como prémio uma temporada na Campanha EMAM/PEPC_M@rBis/2011, a bordo do ‘Creoula’. 

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Percurso: Trânsito entre Funchal a Ponta Delgada.  É a primeira vez que embarcam numa expedição com estas características? José Gomes: Não, já tinha embarcado na Caravela ‘Vera Cruz’. Maria Ravara: Para mim é a primeira vez e estou a gostar muito. O que é que têm achado da Campanha? Maria Ravara: É uma experiência interessante e diferente. Acho que é bom variarmos as nossas actividades e fazer outras coisas. Estou a aprender muito. José Gomes: Estou a gostar muito. Gosto de vela e aqui tenho outra ideia de velejar.   O que é que já aprenderam? José Gomes: Já aprendi os diferentes tipos de vela e como trabalhar em grupo. No fundo, somos uma comunidade que existe dentro do navio e temos de nos organizar para viver bem juntos. Maria Ravara: Já aprendi as regras básicas da vela, como mexer no leme e como se vive dentro de um navio. Do que é que gostaram mais da vossa passagem pelo ‘Creoula’? Maria Ravara: Do pão com chouriço à meia-noite. José Gomes: O que eu gostei mais foi de estar na ponte e no leme. Se pudessem, o que é que mudariam na vossa experiência? José Gomes: Nada. Se tentássemos mudar as coisas não ia haver o mesmo espírito e vivência a bordo. Maria Ravara: Gosto imenso de estar aqui, mas se mudasse alguma coisa era a altura das camas, porque quando acordo bato sempre com a cabeça. 

 

Fazem o trânsito entre Funchal e Ponta Delgada. Gostavam de ficar mais tempo a bordo? Maria Ravara: Gostava de ir até Lisboa ou, pelo menos, até às Formigas. José Gomes: Eu também. Adorava ficar até Lisboa.  E eram capazes de voltar a fazer uma viagem deste género? José Gomes: Faço parte da Aporvela e vou tentar repetir a experiência já em Setembro. Maria Ravara: Eu também repetia.  Acham que devia ser dada outra relevância ao Mar no nosso país? Maria Ravara: Sim, acho que os portugueses deviam continuar com a tradição de explorar os mares. José Gomes: Temos uma história muito relacionada com o Mar e somos conhecidos como navegadores, por isso acho que devíamos preservar mais os nossos navios e desenvolver mais a Marinha.


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Quem é: Beatriz Cachim, dirigente do agrupamento 1197 dos Escuteiros Marítimos de Ponta Delgada. Responsável pelo grupo de dez escuteiros presentes no ‘Creoula’.
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Quem são os Escuteiros Marítimos de Ponta Delgada? Os Escuteiros Marítimos pertencem ao Corpo Nacional de Escutas e as suas actividades são as mesmas dos escuteiros terrestres (caminhadas, acampamentos, actividades de Igreja, apoio social, etc.). A esse tipo de iniciativas acrescentam-se actividades náuticas como o mergulho, canoagem, vela, entre outras.  É a primeira vez que este grupo de escuteiros embarca numa expedição com estas características? Para alguns escuteiros é a primeira vez, mas outros que já participaram em viagens noutros veleiros. Estão aqui dois elementos, por exemplo, que fizeram uma viagem no ‘Stavros Niarchos’ desde Ponta Delgada até ao Faial. Também temos participado noutras actividades em navios, como uma a bordo do ‘Tall Ships Bounty’ (onde foram rodados os filmes dos Piratas das Caraíbas) que esteve em Ponta Delgada no ano passado.  O que é que os motivou a participar na Campanha EMAM/PEPC_M@rBis/2011? Foi o desafio de vir para o Mar mais uma vez. Este é o décimo aniversário dos Escuteiros Marítimos de Ponta Delgada e havendo a possibilidade de embarcar a bordo do ‘Creoula’, um navio português, era de aproveitar. Até agora, a experiência tem correspondido às expectativas? Completamente. Os escuteiros estão muito felizes e entusiasmados com a viagem. Pessoalmente, gosto muito de estar no Mar, ainda para mais num navio mítico da marinha portuguesa como é o ‘Creoula’. Por outro lado, é importante para os escuteiros perceberem como é que se faz ciência e desmistificarem um pouco a ideia do cientista como a pessoa que está sempre metida dentro de um gabinete. Também acho muito importante para jovens com esta idade participarem em todos os trabalhos do dia-a-dia do navio. Este tipo de actividades é muito enriquecedora para qualquer pessoa que aqui embarque. É o conhecimento aliado ao prazer e à descoberta.   Que importância atribui a este tipo de campanhas ligadas ao conhecimento do Mar? A ilha de São Miguel está rodeada de Mar por todos os lados, portanto tudo o que diga respeito a Mar diz respeito a todos nós. O nosso vizinho é o Mar. 


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Quem é: Margarida André Zoccoli, professora de Ciências (3º Ciclo) no Centro de Educação e Desenvolvimento de Nossa Senhora da Conceição da Casa Pia de Lisboa. É uma de duas professoras presentes na Campanha EMAM/PEPC_M@rBis/2011 ao abrigo do programa “Professores a Bordo”.

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Percurso: 30 de Junho a 9 de Julho (Funchal e Porto Santo). Integrou a equipa do intertidal.

O que é que a levou a participar no programa “Professores a Bordo”? Já tinha conhecimento do programa desde o ano passado. Na altura não participei por ser um período muito longo, impossível de conciliar com o horário escolar. Este ano concorri com uma turma do 8º ano ao Concurso Nacional Kit do Mar, com o projeto curricular de turma, que já vem desde o 7º ano, chamado “A Grande Travessia” e que representa a travessia dos alunos pela adolescência. Temos feito analogias entre as grandes travessias marítimas e as travessias pessoais de cada um deles. Pensamos na turma como um barco e tentamos utilizar a linguagem da navegação. Por exemplo, fazer opções e tomar decisões é o processo de conhecer as ilhas que se atravessam no nosso Mar. Cada aluno está também a escrever o seu diário de bordo pessoal. É, portanto, um projeto a que temos associado uma grande ligação ao Mar. Tudo o que sejam travessias e vida a bordo interessa-nos e para mim, como professora, embarcar nesta Campanha era uma oportunidade fantástica.  

É a primeira vez que embarca numa expedição com estas características? Sim. Já tinha trabalhado antes com investigadores, enquanto serviço educativo, mas aqui fui incluída como um membro das equipas científicas e não me limitava a assistir ao trabalho. Não estive a brincar aos cientistas, mas a fazer um trabalho sério, com a consciência de que se me enganar estou a estragar o trabalho de alguém.  

O que é que está a achar da experiência até agora? Fabulosa. Já vinha com as expectativas muito altas, mas tem excedido largamente o que pensava. As equipas funcionaram muito bem e tenho até dificuldades em encontrar aspectos menos positivos. Talvez fique com alguma pena de não ter integrado a equipa de triagem das amostras de mergulho, mas compreendo que as equipas já estavam formadas e a trabalhar bem. De resto, acho que era impossível funcionar melhor. É fundamental para os professores, particularmente os da área de Ciências, integrar este tipo de experiências, porque fazem toda a diferença e tornam-nos melhores profissionais.  

O que é que aprendeu na Campanha? Aprendi metodologias de investigação. Pela formação que tenho (Biologia) já conhecia algumas superficialmente mas, como na Ciência tudo evolui muito rapidamente, os professores devem estar actualizados e perceber quais são as linhas de investigação mais recentes. Foi também importante conhecer investigadores de todo o país, com trabalhos em áreas muito diferentes, e que ficaram disponíveis para fazer consultoria e responder a questões dos alunos.

De que forma é que pode aplicar nas aulas a sua experiência na Campanha? Esta experiência vai ter imensa aplicação. Os professores têm pouca oportunidade de fazer trabalho prático quando saem da faculdade. Acabamos por perder um pouco aquele “à vontade” de ir com os alunos para o campo porque sentimos que nos falta a experiência e o know how. Por isso, a participação neste tipo de iniciativas dá-nos um traquejo e uma segurança muito importantes.

Recomendaria aos seus alunos participarem numa Campanha desta natureza? Não preciso de recomendar: eles ficaram zangados quando souberam que eu vinha e eles não. Mas a verdade é que estou aqui também por causa deles. Foi o trabalho que desenvolvi com os alunos que me proporcionou esta experiência. Também tenho de lhes agradecer e reconheço que seria muito importante eles participarem.

Que importância atribui a este tipo de campanhas ligadas ao conhecimento do Mar? Acho que são fundamentais. Ao longo dos últimos anos perdeu-se muito a ligação ao Mar e acho que é altura de a recuperar com grande convicção. A EMAM tem feito um trabalho excelente nesta área. Sabemos que o Projeto de Extensão da Plataforma Continental é complexo mas acho fundamental torná-lo acessível aos jovens. Quando crescerem terão uma consciência muito mais esclarecida daquilo que são as capacidades do nosso país. 

 


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Quem é: Ana Higueras Vera, 26 anos, natural de Cartagena (Espanha). Estuda Ciências Ambientais na Universidade de Murcia e está em Portugal para fazer o projeto final de licenciatura no Museu da Baleia na ilha da Madeira. dia13a.jpg

Percurso: Funchal (24 de Junho) – Ponta Delgada (18 de Julho)

É a primeira vez que embarca numa viagem com estas características? Já participei em duas campanhas dos “Ecologistas em Acção” no Mar Mediterrâneo a bordo do veleiro “Diosa Maat“, onde fizemos  acções de protesto e sensibilização pela defesa do atum vermelho, dos tubarões, e das zonas costeiras.

O que é que a levou a participar na Campanha EMAM/PEPC_M@rBis/2011? Participei por ser uma oportunidade única de conhecer melhor o Mar de Portugal, a sua biopersidade, e as técnicas utilizadas no seu estudo e conhecimento.

Como é que soube da existência da Campanha? Soube através de uma colega do Museu da Baleia que já tinha participado na expedição do ano passado. Fiquei muito entusiasmada com o que ela me contou, vi o livro da Campanha, e disse a mim própria que tinha de estar na próxima!

O que é que está a achar da experiência até agora? É um luxo poder aprender e ganhar experiência com tantos profissionais do meio científico. Tenho aprendido muito sobre os seres marinhos e esta oportunidade de os estudar e classificar parece-me única. Estou também admirada com a vida no navio e as suas tarefas diárias.

O que tem gostado mais na Campanha EMAM/PEPC_M@rBis/2011? Gostei de conhecer melhor as ilhas Desertas, gostei do profissionalismo dos cientistas, e do bom ambiente de convivência entre a tripulação e guarnição. Até agora estou muito contente com a experiência. 

Que importância atribui a este tipo de campanhas ligadas ao conhecimento do Mar? Toda a importância do mundo! Precisamos de conhecer os seres vivos do planeta, especialmente os marinhos que ainda são pouco estudados. Deste modo, poderemos tomar as medidas necessárias para a sua conservação.

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